
terça-feira, 21 de abril de 2009
entre linhas

saudade
um momento, um olhar, um gesto, uma pessoa. marcando nossa vida como uma doce lembrança. essa doçura eternizada em nossa memória que nos deixa um vazio no peito, como se faltasse metade de mim. um suspiro essencial para me manter viva. viva.... em busca daquele segundo de felicidade que pareceu ser o complemento que faltava para dar sentido à palavra perfeição.
saudade.
saudade de sentir isso de novo.
terça-feira, 14 de abril de 2009
Encanto... ou antigo sonho de menina

Estava ela toda de branco, com todo o seu encanto, acreditando que finalmente tinha realizado seu mais secreto plano. Encontrou o rumo pra sua vida: alguém pra se dedicar. Ele lhe daria sentido, direção, um motivo pelo qual respirar. Um motivo pelo qual sonhar. A esperança de se libertar e como se num passe de mágica, tudo fosse melhorar.
Estava ela toda de branco, em meio a seu singelo pranto, pronta para se casar. Como se esse fosse seu único destino na vida. Como se essa fosse sua única forma de voar. Voar, sonhar, libertar, melhorar, ou simplesmente dar e mais uma infinidade de verbos que rimariam pobremente sem citar o mais importante deles: amar.
Nem tão menina, nem tão mulher. Somente uma figura quase caricata em busca do que quer. Preparada para jurar na frente de tudo e de todos: sou tua e estou contigo para o que der e vier. Como se a vida fosse um folhetim. Depois de muita busca, luta, tragédias e abdicações, vem sempre um tão aplaudido fim.
Fim? Não, garçom, por favor, uma última dose de gim, diz o escolhido como se a bebedeira fosse clarear suas idéias e lhe dar a coragem de dizer SIM... E a incerteza da felicidade, a crueldade da fidelidade, a supressão de todas as suas vontades, tudo pra que ele se cumpra seu papel de salvador, um meio anjo, um serafim.
Neste grande espetáculo da vida, quase tudo rima. A igreja decorada, a festa arranjada, a família toda emperiquitada. Um carnaval. Um vendaval... da quase menina virando mulher, se dando de colher pro que der e vier. E para as favas com as vontades, ou mesmo a tal da felicidade. Seu desejo é acima do bem e do mal. Um sentimento hormonal. Doar, dar... seu corpo, sua alma, se entregar afinal.
Ganhar o mundo inteiro. Correr, querer, subverter, gemer, ganhar (ou perder?), ou simplesmente viver... uma vida de luxúria e riqueza sem freios.
E onde seu homem ficou? Bebeu, jurou, suou, trabalhou, aquietou, quase amou. Mas no final, ela tudo dele sugou. A última gota de sangue, o último delírio alucinante, arrancou de sua vida o volante, sem sequer cumprir seu papel de amante, restando somente seu gosto de purgante, tornou os dias agonizantes, aquela mulher asfixiante.
Para que? O que ela quer? Cumprir o que desde de criança aprendeu: ser mulher. A esposa ideal. Sua presença, colossal; seu humor, surreal, seu corpo, fenomenal. Impecável, insubstituível. Um ser supremo, perfeito, sem igual.
Enquanto isso, amor rima com dor, odor, fedor, um sentimento que mesmo quando nasce, está fadado e condenado a morte num teatro onde não é permitido perder o controle, nem ser passional. Ela prefere um mundo onde os sentimentos são encenados sem calor como um filme antigo esquecido no armário, largado num canto perdendo a cor.
E no final? A rima acabou. O coração parou, a vida se esgotou. E quando ela olhou pra trás, a única conclusão que chegou foi de que nunca amou. O que fez então? Pegou seu vestido branco perdido em seu embolorado descanso, vestiu-o num desesperado pranto, olho-se pela primeira vez no espelho e perdido o encanto, se matou.
domingo, 12 de abril de 2009
Mãos

Sinto, toco, provoco.
Seu cabelo, seu rosto, sua pele, seu olho, suas orelhas, seu pescoço, seu peito, seu ombro, seu braço, sua mão. Comecemos a brincar então. Sua barriga, suas costas, seu sexo, sua pelos, seus pés. Viro e volto revés.
Carinho, tapa, beijo, suor, coceira, palmas.
Pega, joga, aperta, encosta, belisca, bate, amacia, massageia, aponta, denuncia, relaxa.
Inquieta

Sonhar... Ah! Como é bom sonhar. Como é bom poder soltar nossa imaginação sem preconceito algum. Sem nenhum Freud ou Nietzsche para nos julgar, nos culpar. Ser um pouco de Hemingway, que descreve com tamanha riqueza de detalhes e ao mesmo tempo tamanha simplicidade as coisas mais banais da vida. Sensações básicas que muitas vezes passam tão despercebidas. Olho pro lado e vejo que as pessoas simplesmente estão se esquecendo de respirar. Como se o moto contínuo da vida congelasse. Confesso que tenho vontade de parar o tempo algumas vezes, pra que aquele segundo seja eterno na minha cabeça, mas entendo que o momento não pode parar. A vida não pára.